terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

DF: Rodoviários da Pioneira ameaçam cruzar os braços

Problemas com o pagamento de direitos trabalhistas de empregados da Pioneira podem atrapalhar o governo do Distrito Federal a concluir, dentro do prazo, a renovação da frota de ônibus da capital. A empresa nega ter caixa para arcar com a demissão de 400 funcionários que atendiam a região da Ceilândia. Com isso, as novas empresas não podem contratar essas pessoas, o que acaba por atrasar a conclusão do processo, que deveria ser encerrado nesta sexta (28).

Devido ao impasse, os usuários dos coletivos é quem têm sofrido. Ontem (24), a população de Ceilândia ficou mais de uma hora sem ônibus devido uma paralisação relâmpago. Para amanhã (26), o Sindicato dos Rodoviários já sinaliza uma paralisação geral entre os funcionários da Pioneira, responsável pela Bacia 2 e que atende as cidades do Gama, Santa Maria e São Sebastião. As ações têm como objetivo pressionar a empresa a cumprir com os acordos firmados na licitação.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Rodoviários, João de Jesus, o grupo está sem trabalhar e impossibilitado de seguir para as empresas que passaram a operar a região, que são a Marechal e a São José. “Por ser uma empresa que foi mantida no sistema novo, não esperávamos ter esse problema. Ficamos surpresos”, comenta. “As paralisações não são boas para ninguém, mas são a única forma que temos de pressionar o governo e a empresa”, conclui João.

O DFTrans trata o assunto como uma exceção, já que a grande parte das empresas conseguiram cumprir o cronograma de demissões e pagamento das dívidas trabalhistas. “A empresa precisa resolver o impasse. O governo não tem o que fazer, já que está impedido judicialmente de arcar com dívidas trabalhistas das empresas”, argumento o diretor geral do DFTranas, Marco Antônio Campanella.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Pioneira afirmou que não possui dinheiro para arcar com a dívida, já que, em outro momento, o GDF havia se comprometido a ficar com ela. Segundo a empresa, todo o dinheiro que havia no caixa foi usado na compra dos novos coletivos e na melhoria e ampliação da frota. Na nota, a organização ressalta que, para cumprir o acordo firmado, necessita da ajuda do governo e que aguarda uma reunião para resolver o problema.

ATRASOS E LOTAÇÃO

Prestes a concluir a renovação total da frota, não é difícil encontrar algum usuários reclamando da pouca quantidade de coletivos e das constantes demoras. Segundo Campanella, isso acontece porque, com a renovação, houve uma redução na quantidade de ônibus em circulação. “O problema deve ser resolvido em breve, já que a nova etapa de melhoria do transporte público é universalizar a integração e racionalizar as linhas existentes” diz.

“Acredito que faltou planejamento. A população não pode ficar às margens disso. Somos trabalhadores e é um absurdo nos submeter a transportes cheios ou simplesmente acontecer dos ônibus não rodarem devido a um problema que poderia ter sido evitado com um mínimo de planejamento”, comenta Carmem Alves, de Ceilândia.

Fonte: Jornal Alô Brasília